Arquivo mensal: dezembro 2010

O Backlog do Produto e a arte da User Story

Pesquisando sobre o framework Scrum você, certamente, já deve ter lido algo do tipo: “O Backlog do Produto contém as funcionalidades do novo produto solicitadas pelos usuários” ou ainda “Os requisitos para o produto que o time está dsenvolvendo estão listados no Backlog do Produto”. Esses, caso você não saiba, são conceitos equivocados ou que podem gerar diferentes interpretações.

Segundo Mike Cohn,  user story é uma pequena e simples descrição de uma funcionalidade dita da perspectiva da pessoa que deseja a nova capacidade, usualmente um usuário ou cliente do sistema. Em outras palavras, o Backlog do Produto deve conter as necessidades dos usuários ou clientes e não as funcionalidades do sistema. Trata-se de uma mudança de paradigma quando comparado ao modelo criado pelo PMI (Project Management Intitute) para gestão de projetos. E é esse um dos papéis do Product Owner: traduzir as necessidades do cliente, através do Backlog do Produto, em uma linguagem  não-técnica compreensível por todas as pessoas envolvidas no projeto.

Para compreender melhor essa mudança de paradigma vamos exemplificar. Observe atentamente a história abaixo:

 

Vantagens do uso do template para User Story

“Como um <ator>, eu gostaria de <ação>, para <objetivo>.”

Você, caro leitor, pode estar agora se perguntando. Mas qual o motivo de usar esse template sempre que eu for escrever uma user story? Pesquisando sobre o assunto, descobri que existem duas razões principais pelas quais esse template se torna tão importante (fonte: mountaingoatsoftware.com).

Razão 1: A magia dos pronomes

Algo mágico acontece quando as exigências são colocadas na primeira pessoa. Obviamente, dizendo: “Como tal e tal, eu quero …” você pode ver como a mente da pessoa vai imediatamente imaginar seus desejos. Paul McCartney foi entrevistado e perguntado sobre por que as canções dos Beatles foram tão incrivelmente populares. Uma de suas respostas foi que suas músicas estavam entre os primeiros a usar um monte de pronomes. Pense nisso: She Loves You, I Want to Hold Your Hand, I Saw Her Standing There, etc. Seu ponto era que essas pessoas passaram a se identificar mais de perto com as canções. Assim acontece nas user stories.

Razão 2: Estrutura a serviço do Product Owner

A estrutura do template ajuda o Product Owner a priorizar as histórias dos usuários. Se o product backlog é um amontoado de coisas como Permita controlar exceção, Permita que os usuários façam reservas, Os usuários querem ver fotos, e assim por diante, o Product Owner tem que trabalhar muito mais para entender o que o recurso é, quem se beneficia a partir dele, e qual o valor dele.

DICA

Muitas pessoas alegam que esse modelo acaba suprimindo o conteúdo da informação devido ao uso de tantos clichês. Se você também concorda com esse pensamento, sugiro que faça o seguinte. Organize seu Backlog do Produto em um tabela com o seguinte cabeçalho. “Como”, “eu gostaria”, “para”. Isso facilita o modo de leitura e compreensão das necessidades. Veja o exemplo abaixo:

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Livro Análise de Pontos de Função: Medição, Estimativas e Gerenciamento de Projetos de Software

Pessoal, acabo de terminar a leitura desse livro o qual é referência no Brasil para a técnica de contagem de pontos de função.

Resenha:

A análise de pontos de função é atualmente um instrumento utilizado por profissionais da área de sistemas e em empresas de todos os portes e segmentos da economia brasileira. Inicialmente o foco principal de sua aplicação era em estimativas. Atualmente ainda continua sendo uma ferramenta importante em estimativas, mas também tem sido aplicada cada vez com mais sucesso como unidade de medição de contratos de desenvolvimento de software e como ferramenta na gerência de projetos. Boa parte deste sucesso deve-se a uma comunidade bem ativa de usuários de pontos de função no Brasil – o BFPUG.
Este livro é o resultado de mais de dez anos de experiência prática dos autores na aplicação da técnica em projetos de desenvolvimento de sistema, manutenção de sistemas, gerência de projetos, treinamento e consultoria em Análise de Pontos de Função. Seu objetivo é complementar o Manual de Práticas de Contagem do IFPUG, que é a referência oficial da técnica para aqueles que pretendem utilizá-la de maneira profissional e no qual boa parte do livro foi baseada. Além de complementar as regras do IFPUG, o livro aborda aspectos da aplicação de pontos de função em estimativas, contratação de software e sobre o processo de certificação de especialistas em pontos de função.

Mais informações,  vídeo-aulas, apresentações e exercícios podem ser encontradas no seguinte endereço:

http://www.fattocs.com.br/livro.asp

Abaixo segue uma compilação de material de apoio, que fiz a partir de documentos do site FATTOCS, para complementar a leitura do livro.

Análise de Pontos de Função – Material de Apoio do Livro

Aplicando APF em contratos de desenvolvimento de software – Parte 2

No post anterior, vimos as três modalidades de contratação de desenvolvimento de software: homem/hora, preço global fixo e preço unitário. Vimos ainda que podemos utilizar a análise de pontos de função para preencher lacunas deixadas por esses modelos. Porém, ao utilizarmos a APF nesses contratos, surge a seguinte questão: o ponto de função mede funcionalidades fornecidas ao usuário e não trabalhos como análise, projeto, codificação ou testes. Assim, como remunerar o fornecedor por atividades específicas de projeto? A resposta é simples. “Estratificando” o ponto de função através do esforço médio (conexto organizacional) utilizado em cada fase.

Fonte: SERPRO.

Exemplo: Projeto de 1.000PF à 100,00R$/PF (valor total do projeto – R$100.000,00). Após a conclusão da análise de requisitos o fornecedor será remunerado em R$20.000,00.

Mas afinal, qual o preço de um Ponto de Função?

Essa é uma questão bastante intrigante e que merece uma análise mais detalhada. [Vasquez, 2008] interpreta da seguinte forma.

“Uma comparação muito comum de ponto de função é com o metro quadrado da construção civil. Ao se perguntar o preço do metro quadrado a um corretor de imóveis, certamente ele fornecerá não um, mas vários  preços: de acordo com a região, tipo de acabamento, infra-estrutura adicional do imóvel, etc.  Com ponto de função a situação é bem parecida. O preço irá variar de acordo com o trabalho requerido para a construção de um ponto de função e dos subprodutos a serem também entregues.”

 

“… não existe um preço único para ponto de função. Deve-se avaliar o conjunto de atividades relativas à entrega das funcionalidades medidas em pontos de função, o modelo de contrato que ditará a remuneração de um ponto de função e também os aspectos não funcionais que são desconsiderados na medição dos pontos de função.” [VASQUEZ, 2008].

Fator de Crescimento na orçamentação do projeto

Projetos e imprevisilidades são fatores que caminham juntos sempre! Sendo assim, urge a necessidade de flexibilizar o tratamento de variações de escopo. Porém existindo um orçamento limitado para o contrato, é recomendável calcular um fator que corresponda à cultura organizacional em questão. Esse é o fator de crescimento de projetos.

Simplifique esse cálculo separando os projetos por similaridades. Em seguida, defina dois pontos de medição: após a conclusão da especificação e após a sua implantação. Crie uma média ponderada que apresente o percentual de variação de cada grupo e aplique a novos projetos similares. Isso criará uma margem de erro que pode evitar conflitos em prazos estabelecidos com o cliente.

Conclusão

Tentei aqui, caro leitor, elucidar os principais pontos os quais demonstram que pontos de função podem ser um instrumento bastante eficaz para a medição de contratos. Porém é fundamental conhecer bem o processo de contagem para poder utilizá-lo da melhor forma. Nem sempre os pontos de função são adequados. Dependerá muito do contexto organizacional. Assim, cabe a você, identificar suas necessidades e aplicar seu conhecimento em prol do sucesso dos seus projetos, sejam eles profissionais ou pessoais. Esse é o papel de qualquer bom gerente de projetos!

 

Scrum em menos de 10 minutos

Revista Mundo Project Management – Ed. 36

DICA DO BLOG

O Gerenciamento de Projetos tem sido considerado ponto fundamental para o sucesso de muitos investimentos no mercado atual e, neste contexto a publicação MundoPM – Project Management se posiciona estrategicamente como um efetivo meio de comunicação e troca de conhecimento especializado no tema, a ciência da decisão. Cientes de que uma nova economia está por emergir a revista MundoPM busca destacar de forma transparente e elucidativa informações de gerenciamento de projeto, levando ao seu leitor o conhecimento necessário para conquistar diferencial competitivo. Abordando temas e práticas que o mercado demanda, a revista objetiva posicionar os profissionais e empresas que fazem uso destas técnicas e conceitos, de forma efetiva e colaborativa, fortalecendo assim a chamada sociedade do conhecimento. A publicação baseia sua missão em eleger o capital intelectual como caminho para elevar a disciplina de gestão de projetos e, como uma forma de contribuir para um mercado globalizado.

A publicação identifica-se com a necessidade mercadológica de diagnosticar, com rigor científico e visão de mercado, as melhores técnicas e ferramentas empregadas a cada realidade em particular. A revista visa se tornar, através de uma estratégia de facilitar ao leitor o domínio sobre o tema, com uma proposição de valor que explora a abordagem didática, valores práticos e relatos de casos de sucesso do mercado nacional, tornando-se referencial como um veículo de comunicação eficiente que discute os temas globais para determinar ações locais. Trazendo informações consolidadas de experiências práticas e teóricas para o melhor uso do seu leitor no mercado de trabalho, e proporcionar inovação e alto valor agregado em suas práticas e decisões nas organizações e em sua carreira profissional.

Aplicando APF em contratos de desenvolvimento de software – Parte 1

Introdução

Certamente você, caro leitor, já deve ter ouvido falar sobre contratos firmados e mal sucedidos. Especialmente na esfera do desenvolvimento de software. Analisando mais detalhadamente esse problema, é possível identificar diversos aspectos que contribuem para a concretização dessa situação. Dentre os mais comuns podemos destacar:

  • Requisitos especificados de forma incorreta ou ambígua;
  • Estimativas não confiáveis (falta de mão-de-obra qualificada);
  • Domínio do problema mal compreendido;
  • Constante mudança de requisitos;
  • Pressões externas não gerenciadas.

Em seguida, irei apresentar as três modalidades de contratação mais comuns na área de desenvolvimento de software: homem/hora, preço global fixo e preço unitário. Apresentarei suas vatagens e desvantagens do pontos de vista do cliente e como a APF (Análise de Pontos de Função) pode ajudar a obter benefícios em cada caso.

Homem/Hora

Também conhecida como body shopping ou time material, na contratação homem/hora a empresa contrata profissionais para a alocação no desenvolvimento do software, usualmente em conjunto com sua própria equipe, e utilizando sua própria infra-estrutura logística.

  • Vantagens
    • Grande flexibilidade para ambos os lados, pois a contratante pode atender mais rapidamente aos picos de demanda, enquanto a contratada pode ser melhor remunerada caso haja um aumento de escopo e consequente aumento de esforço (horas trabalhadas).
  • Desvantagens
    • Subutilização dos profissionais contratados, à medida que a demanda de serviços diminui (prazo de contrato fixo);
    • Contratante responsável pela produtividade dos contratados;
    • Remuneração não vinculada à produtividade.

    Podemos aplicar a APF para monitorar a produtividade da equipe, levando em consideração dois fatores: esforço (horas) e resultados (pontos de função). Sendo P = PF/E, podemos criar um gráfico mensal que represente o desempenho da equipe. A partir daí podemos tomar medidas estratégicas que visem alinhar o trabalho com as expectativas de negócio da empresa. O quadro abaixo, retirado do livro Análise de Pontos de Função: Medição, Estimativas e Gerenciamento de Projeto de Software, ilustra as vantagens e desvantagens dessa técnica.

Preço Global Fixo

Essa é uma modalidade bastante comum em contratos de prestação de serviços, pois privilegia a abordagem de projeto, com um início e fim bem definidos. Exige maior nível de organização tanto da contratante como do contratado.

  • Vantagens
    • O contratante sabe quanto vai pagar após a conclusão do projeto.
  • Desvantagens
    • Geralmente ocorre uma subestimação ou superestimação do orçamento proposto.
    • Provável necessidade de renegociação de contrato.

    A APF, nesse caso, seria utilizada como um fator de normalização. A contratante pode dimensionar o projeto originalmente contratado e calcular o valor unitário cobrado pela contratada com base na contagem de pontos de função do projeto inicial. Assim, qualquer serviço adicional poderia ter seu custo estimado e ser contestado pela empresa contratante caso o valor cobrado seja bem diferente do calculado.

Preço Unitário

Modelo que define remuneração para o fornecedor a partir dos elementos do projeto: tela, relatório, tabela, caso de uso, linha de código, stored procedure ou ponto de função. Procure equilibrar as deficiências dos modelos anteriores.

  • Vantagens
    • Em caso de aumento de escopo (mais elementos solicitados), fornecedor será remunerado.
  • Desvantagens
    • Negociações mais desgastantes no caso em que o fornecedor identificar necessidade de mais elementos para o projeto.

    Analisando essa deficiência, urge a necessidade de encontrar uma unidade que elimine o lado técnico da comunicação entre os profissionais de TI e seus clientes. E é exatamente nesse ponto que a APF toca, pois ela define objetos de contagem que independem da tecnologia utilizada para o desenvolvimento de software.

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