Aplicando APF em contratos de desenvolvimento de software – Parte 1

Introdução

Certamente você, caro leitor, já deve ter ouvido falar sobre contratos firmados e mal sucedidos. Especialmente na esfera do desenvolvimento de software. Analisando mais detalhadamente esse problema, é possível identificar diversos aspectos que contribuem para a concretização dessa situação. Dentre os mais comuns podemos destacar:

  • Requisitos especificados de forma incorreta ou ambígua;
  • Estimativas não confiáveis (falta de mão-de-obra qualificada);
  • Domínio do problema mal compreendido;
  • Constante mudança de requisitos;
  • Pressões externas não gerenciadas.

Em seguida, irei apresentar as três modalidades de contratação mais comuns na área de desenvolvimento de software: homem/hora, preço global fixo e preço unitário. Apresentarei suas vatagens e desvantagens do pontos de vista do cliente e como a APF (Análise de Pontos de Função) pode ajudar a obter benefícios em cada caso.

Homem/Hora

Também conhecida como body shopping ou time material, na contratação homem/hora a empresa contrata profissionais para a alocação no desenvolvimento do software, usualmente em conjunto com sua própria equipe, e utilizando sua própria infra-estrutura logística.

  • Vantagens
    • Grande flexibilidade para ambos os lados, pois a contratante pode atender mais rapidamente aos picos de demanda, enquanto a contratada pode ser melhor remunerada caso haja um aumento de escopo e consequente aumento de esforço (horas trabalhadas).
  • Desvantagens
    • Subutilização dos profissionais contratados, à medida que a demanda de serviços diminui (prazo de contrato fixo);
    • Contratante responsável pela produtividade dos contratados;
    • Remuneração não vinculada à produtividade.

    Podemos aplicar a APF para monitorar a produtividade da equipe, levando em consideração dois fatores: esforço (horas) e resultados (pontos de função). Sendo P = PF/E, podemos criar um gráfico mensal que represente o desempenho da equipe. A partir daí podemos tomar medidas estratégicas que visem alinhar o trabalho com as expectativas de negócio da empresa. O quadro abaixo, retirado do livro Análise de Pontos de Função: Medição, Estimativas e Gerenciamento de Projeto de Software, ilustra as vantagens e desvantagens dessa técnica.

Preço Global Fixo

Essa é uma modalidade bastante comum em contratos de prestação de serviços, pois privilegia a abordagem de projeto, com um início e fim bem definidos. Exige maior nível de organização tanto da contratante como do contratado.

  • Vantagens
    • O contratante sabe quanto vai pagar após a conclusão do projeto.
  • Desvantagens
    • Geralmente ocorre uma subestimação ou superestimação do orçamento proposto.
    • Provável necessidade de renegociação de contrato.

    A APF, nesse caso, seria utilizada como um fator de normalização. A contratante pode dimensionar o projeto originalmente contratado e calcular o valor unitário cobrado pela contratada com base na contagem de pontos de função do projeto inicial. Assim, qualquer serviço adicional poderia ter seu custo estimado e ser contestado pela empresa contratante caso o valor cobrado seja bem diferente do calculado.

Preço Unitário

Modelo que define remuneração para o fornecedor a partir dos elementos do projeto: tela, relatório, tabela, caso de uso, linha de código, stored procedure ou ponto de função. Procure equilibrar as deficiências dos modelos anteriores.

  • Vantagens
    • Em caso de aumento de escopo (mais elementos solicitados), fornecedor será remunerado.
  • Desvantagens
    • Negociações mais desgastantes no caso em que o fornecedor identificar necessidade de mais elementos para o projeto.

    Analisando essa deficiência, urge a necessidade de encontrar uma unidade que elimine o lado técnico da comunicação entre os profissionais de TI e seus clientes. E é exatamente nesse ponto que a APF toca, pois ela define objetos de contagem que independem da tecnologia utilizada para o desenvolvimento de software.

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Sobre danielettinger

Bacharel em Ciência da Computação pela Universidade Federal de Sergipe (UFS) e Pós-Graduado em Gestão de Projetos de Software pela Faculdade de Administração e Negócios de Sergipe (FANESE). É certificado CAPM® pelo PMI, ITIL® v3 Foundation pelo EXIN e COBIT® 5 Foundation pela APMG. Possui experiência de 5 anos nas áreas de Análise e Desenvolvimento de Sistemas do setor público e privado. Atualmente trabalha no Banco do Estado de Sergipe (BANESE), onde já desenvolveu atividades de análise de processos e gerenciamento de projetos no Escritório de Gerenciamento de Demandas e Projetos e Grupo de Processos, pertencentes à Área de Governança de TI. Dentre elas, destacam-se a gestão do projeto de implantação do PMO de TI e suporte no gerenciamento de projetos de TI. Nos dias de hoje, atua como gerente de projetos do PMO Corporativo do BANESE. Ministra aulas de Sistema de Gerenciamento de Projetos em cursos de MBA da FANESE. Participou como voluntário em eventos do PMI ministrando curso de Gestão do Tempo em Projetos. É proprietário e articulista do site “Gestão de Projetos Ágeis” www.danielettinger.com, onde divulga trabalhos pessoais na área de Gerenciamento de Projetos e Metodologias Ágeis como artigos, vídeo-aulas, pesquisas, eventos, templates, tutoriais e dicas fomentando o interesse e o desenvolvimento dessas áreas.

Publicado em 21/12/2010, em Custos, Escopo, Gerenciamento de Projetos, Tempo e marcado como , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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