A subjetividade da análise de riscos em Gestão de Projetos de Software

Quero começar esse post propondo um desafio a você, caro leitor. Analise os riscos de um projeto de construção de um software para a locadora do seu bairro. Faça essa análise listando em uma tabela os riscos associados ao projeto com suas respectivas probabilidades de ocorrência e impactos potenciais. Proponha também soluções atenuantes para tratar esses riscos. Em seguida, peça para que um amigo do seu trabalho faça o mesmo. Mesmo que vocês listem os mesmos riscos, muito provavelmente a análise de probabilidade, impacto e soluções atenuantes feitas pelos dois será diferente. Isso ocorre porque todos os estágios do processo, incluindo as técnicas utilizadas, envolvem subjetividade. “Sempre há incerteza, necessidade de jugalmento e considerável espaço para parcialidade e inexatidão” [REDMILL, 2006].

O ILGRA (Interdepartmental Liaison Group on Risk Assessment), comitê de avaliação de riscos do Reino Unido, afirma que a análise de riscos é “uma ferramenta para fazer extrapolações a partir de dados estatísticos e científicos” até chegar a “um valor que seja aceito como estimativa do risco ligado a uma atividade ou evento em particular”. Portanto, penso que devemos tratar os resultados da análise de riscos como estimativas que buscam nos aproximar mais da realidade, como também nos auxiliar na tomada de decisões.

Fig. 1 – Processo de análise de riscos.

Apesar de possuir um workflow bem definido  (Fig. 1), a análise de riscos sempre permitirá a geração de diversas interpretações para um mesmo estudo de caso. Retornando ao software de locadora, poderíamos identificar o seguinte risco de projeto: queda do servidor que hospeda a aplicação. Esse é o típico risco que, no meu ponto de vista, é PROVÁVEL de acontecer e impacto CATASTRÓFICO, sendo necessário atenuá-lo procurando hospedagens alternativas. Porém para outro analista de negócio o risco poderia ser IMPROVÁVEL de acontecer! É aí onde mora a subjetividade da análise.

Embora possa ser subjetiva, a análise é uma ferramenta valiosa, e as normas de segurança modernas exigem que ela seja realizada [REDMILL, 2006]. A subjetividade presente na análise de riscos, apesar de ser uma vulnerabilidade, é também um dos seus pontos fortes, pois todo esse processo envolve racioncício e poder de investigação. Sendo assim, esse processo impulsiona o desenvolvimento cognitivo do ser humano.

Caso o leitor tenha interesse em conhecer mais detalhes sobre o assunto sugiro a leitura de um excelente artigo publicado no QSP (Centro da Qualidade, Segurança e Produtividade). Disponível em http://www.qsp.org.br/analise_riscos_artigo.shtml.

Referências:

REDMILL, Felix. Análise de riscos: um processo subjetivo. Centro da Qualidade, Segurança e Produtividade. 2006.
UK-ILGRA. United Kingdom Interdepartmental Liaison Group on Risk Assessment, Use of Risk Assessment within Government Departments, 1996.
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Publicado em 06/01/2011, em Gerenciamento de Projetos, Riscos e marcado como , . Adicione o link aos favoritos. 3 Comentários.

  1. Muito bem Daniel, esses artigos estão me fizendo abrir os olhos para os novos paradigmas da gestão de projetos. Certamente você deve aplicá-los em seu dia-a-dia. Gostaria que você fizesse artigos sobre suas experências no seu ambiente de trabalho.

  1. Pingback: Software Automação Commercial Letting Agents | Actual Percentil

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