Arquivo mensal: maio 2011

Controlando o cronograma do projeto através do Gerenciamento do Valor Agregado

O Gerenciamento do Valor Agregado é uma metodologia utilizada para integrar escopo, cronograma e recursos em gerência de projetos. Permite medir o desempenho e o progresso do cronograma do projeto e assim, planejar ações responsáveis por realinhar esse cronograma, caso necessário. Essas ações são planejadas baseadas em indicadores que sinalizam o impacto da variação do cronograma do projeto.

  • Variação de Prazo (VPR)
  • Índice de Desempenho de Prazo (IDP)

Para compreender melhor a utilização desses indicadores irei apresentar um case prático onde você poderá acompanhar todo o processo de Gerenciamento do Valor Agregado, desde a sua análise até o planejamento das ações corretivas.

Vamos imaginar o projeto de Construção de um Galpão. Neste momento, é preciso construir as paredes deste espaço. Serão 4 paredes num total, com a mesma metragem. Sendo assim, foi contratada uma empresa especializada. De acordo com o contrato, a empreiteira tem apenas um dia para construir cada parede com um orçamento limitado a R$1000 por parede. No cenário ideal, ao final de 4 dias todas as paredes terão sido erguidas respeitando os limites orçamentários planejados.


O planejamento da empreiteira foi construir as paredes de forma sequencial, uma após a outra, como mostra a figura abaixo.

Ao final do primeiro dia Pedro, o gerente do projeto, foi conferir junto a equipe o progresso do trabalho. Ele queria verificar quantos metros de parede foram devidamente construídos em relação ao planejado e quanto foi realmente gasto. Definiu que esse procedimento seria realizado ao final de cada dia para fins de controle.

O Valor Agregado (VA) é aqui representado pelo total de parede construída com relação ao planejado. O total realmente gasta representa o Custo Real (CR). Segundo [1], “o valor agregado é expresso em valores monetários e é calculado com base no progresso físico do trabalho planejado (% concluído)”. Dessa forma, o GP Pedro obteve os seguinte resultados:

Observe no gráfico abaixo como o Gerenciamento do Valor Agregado cumpre o que promete! “…integra escopo (o quanto de trabalho foi realmente realizado em relação ao planejado), prazo (como foi originalmente planejado) e custo (o quanto foi efetivamente gasto) do projeto, constituindo-se em uma importante ferramenta para determinar o desempenho do projeto ” [1].

O gráfico mostra que, ao final do primeiro dia de trabalho, foi agregado ao projeto menos valor do que o planejado. Isso indica a existência de algum problema de desempenho. Outro fator preocupante é que o custo real gasto no primeiro dia de trabalho fora maior do que o valor agregado. Esse é um forte indicativo de estouro de orçamento ao final do projeto. Para detalhar melhor os problemas existentes no projeto em andamento vamos agora calcular os dois indicadores essenciais para o Gerenciamento do Valor Agregado.

Variação de Prazo (VPR)

Ao final do primeiro dia, Pedro verificou que o projeto teve uma VPR = -R$200,00. Isso significa que o projeto encontra-se atrasado! O valor R$200,00 é a quantidade de escopo (em termos monetários) que deveria ter sido construído, mas não foi.

Índice de Desempenho de Prazo (IDP)

O IDP mede a velocidade com que o trabalho está sendo executado em relação ao que foi planejado.

Esse resultado nos mostra que, ao final do primeiro dia, o projeto concluiu apenas 80% do total das tarefas planejadas. Esse valor indica que o projeto corre sérios riscos de atrasos de entrega do produto. É nesse momento que o gerente do projeto deverá tomar ações corretivas para realinhar o projeto com sua linha de base do tempo. Para isso ele poderia, por exemplo, alocar profissionais mais experientes e que aceitassem a remuneração já estabelecida para a mão-de-obra. Dessa forma, as tarefas seriam, teoricamente, concluídas com mais agilidade e o orçamento final no término (ONT) não seria alterado, cumprindo assim as metas estabelecidas no plano original.

[1] Gestão do Tempo: controlando o cronograma do projeto. SENAC. São Paulo.
[2] WIKIPEDIA. Gestão de Valor Agregado. Disponível em <http://pt.wikipedia.org/wiki/Gest%C3%A3o_de_valor_agregado>. Acessado em 23 de Maio de 2011.

Rosalina e o Piano

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SOBRE A OBRA

“Rosalina e o Piano” aborda a lógica do planejamento e acompanhamento da execução de uma atividade esporádica, complexa, nunca antes requerida de tal modo, que demandará o trabalho de diversos colaboradores internos e fornecedores externos de modo integrado, em um tempo determinado e que culminará na materialização de um “produto” (um piano disponibilizado para uso – afinado e limpo – no auditório de um prédio comercial) com vistas à contabilização de benefícios para a empresa. Trata-se de um caso que explora a lógica do planejamento e do acompanhamento de um projeto.

SOBRE O AUTOR

Alonso Mazini Soler

Alonso Soler, trabalhou 14 anos nos ambientes de projetos, consultorias e educação da HP e IBM Brasil. Atualmente ministras aulas para os programas de MBA em Gerenciamento de Projetos da FIA-USP e FGV. Alonso é um pensador e crítico das práticas atuais do moderno Gerenciamento de Projetos, e dispõem de uma capacidade ímpar de associar conceitos inovadores às aplicações práticas do dia-a-dia das empresas.

Revista Mundo Project Management – Ed. 38

DICA DO BLOG

DESTAQUES

O problema das médias
no gerenciamento de projetos

A simulação computacional proporciona análises importantes sobre os riscos ocultos em projetos, gerando não apenas um número mas uma distribuição de probabilidades. A função DIST (Distribution String), criada pelo autor, estabelece adicionalmente um padrão de comunicação de entrada/saída das incertezas em projetos, facilitando o compartilhamento de cenários e conhecimentos que infl uenciam as estimativas de prazos, custos e demais fatores do projeto de forma inequívoca entre todos os gerentes.

Tratado de medidas confiáveis de conclusão (CCMT)

Trata-se de um método para medir o progresso com ênfase na identifi cação e estimativa das consequências das possíveis resoluções das incertezas de um projeto, em termos tanto de tempo como fi nanceiro. Uma vez terminadas essas estimativas, pode-se calcular um conjunto de possíveis resultados, identifi cando a pior das hipóteses para custo, tempo e para cada um dos requerimentos importantes do projeto.

A aplicação das novas ciências ao gerenciamento de riscos e de projetos

Há um sentimento entre alguns profi ssionais que lidam com riscos, incluindo o autor, de que o gerenciamento teórico de riscos desgarrou-se de nossa intuição no mundo do gerenciamento de projetos. Este artigo mostra que, ao se entender com que tipo de problema se está lidando, as decisões passam a ser mais conscientes das inerentes incertezas.

Resultado da enquete: “Como você se prepara para o crescimento profissional?”

Análise:

O resultado da enquete nos apresenta um cenário animador e ao mesmo tempo frustrante. O lado positivo deste cenário está no fato de 44% dos votos demonstrarem a crescente busca de crescimento profissional através do investimento pessoal em cursos de capacitação. Com 34% dos votos a opção “Sou auto-didáta” demonstra também que uma  significativa parcela dos profissionais buscam melhorar seus conhecimentos e habilidades pró-ativamente através da busca pessoal pelo conhecimento em livros, revistas, artigos, internet, etc. Já o lado negativo deste cenário se apresenta no fato de apenas 12% das pessoas possuírem o apoio financeiro das empresas na qual trabalham para melhorar sua capacitação profissional. Este é um quadro preocupante visto que, cada vez mais, as empresas buscam mão-de-obra barata e relegam o investimento em capacitação para seus funcionários. Provavelmente está na hora do Governo Federal por a mão na massa e criar um programa para ampliar o fornecimento de incentivos fiscais às empresas, princpalmente de pequeno e médio porte, a investirem cada vez mais na capacitação profissional de seus colaboradores. Isso alavancaria a qualidade da mão-de-obra do mercado bem como o crescimento da qualidade dos produtos e serviços produzidos. Por fim, 10% das pessoas que participaram da enquete afirmam que não estão estudando nada no momento. Vou deixar aqui uma dica! Nunca pare de buscar o conhecimento, pois ele nunca é demais! Ele é útil, necessário e imprenscindível para seu crecimento profissional e econômico do país. Como diria o provérbio árabe: “Quem quer fazer alguma coisa, encontra um meio. Quem não quer fazer nada, encontra uma desculpa.”

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