Projeto Horas Decisivas


253848Existem projetos que constroem um novo modelo de avião mais moderno e luxuoso, outros desenvolvem um serviço que será utilizado por milhões de pessoas, mas existem projetos que salvam vidas humanas! Esse projeto foi recentemente retratado em um longa-metragem produzido pela Disney: Horas Decisivas. O filme, inspirado em fatos reais, narra a história de uma heroica tentativa de resgaste em 1952, quando uma gigante nevasca atinge a costa da Nova Inglaterra e ocasiona a ruptura do navio-tanque SS Pendleton em duas metades, lançando dezenas de tripulantes ao mar. Enquanto a tripulação da popa, liderados por Raymond Sybert, tenta bravamente sobreviver à tempestade, uma equipe de 4 guardas costeiros é enviada ao encontro do grupo, em um pequeno barco, e com um único objetivo: resgatar os sobreviventes e trazê-los com vida de volta à terra firme.

Patrocinador

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Após tomar conhecimento do acidente envolvendo o navio-tanque SS Pendleton, o comandante da guarda costeira Daniel Cluff (à esquerda) designa Bernie Weller (ao centro) para uma arriscada missão: resgatar a tripulação do navio. Em seguida, ele solicita à Bernie que escolha uma pequena tripulação que deverá acompanhá-lo em uma pequena embarcação ancorada no cais.  Informou ainda que era preciso correr contra o tempo e seguir uma rota mais curta e mais perigosa, pois a tripulação sobrevivente tinha poucas horas de vida. Em outras palavras, o patrocinador escolheu o gerente do projeto, definiu o objetivo, identificou um requisito e uma restrição iniciais, forneceu alguns recursos materiais e humanos e pediu para que o gerente escolhesse sua equipe. Essa é a fase de iniciação do projeto.

O Gerente e o Time
horasdecisivas_4Bernie, escolhido para liderar o projeto, decidiu consultar os guardas costeiros presentes sobre quem aceitaria participar dessa missão. Por que ele fez isso? Por que ele sabia que precisava contar exclusivamente com pessoas que estivessem altamente comprometidas com o objetivo do projeto e que estivessem dispostas a correr os altos riscos envolvidos. Após definir sua equipe com apenas 3 liderados, nosso herói foi em busca de cumprir sua missão.

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Pouco planejamento, muitos problemas!

O gerente do projeto não tinha muito tempo para planejar cuidadosamente o que devia ser feito, ele precisava agir o quanto antes, pois dezenas de vidas dependiam dele e de sua equipe. Assim, ao chegar ao barco, ele deu algumas instruções iniciais a sua equipe, analisou o mapa descrevendo o caminho a ser realizado e partiu imediatamente com os recursos que lhe foram alocados. Surgem aí as primeiras questões. A embarcação fornecida seria resistente e veloz o suficiente para superar a tempestade e as altas ondas que se formavam? Qual era o tamanho da tripulação a ser resgatada? O barco seria capaz de comportar a equipe de resgate juntamente com a tripulação sobrevivente?

Fica claro que o nosso herói e sua equipe não levantaram os requisitos detalhados do projeto, simplesmente assumiram praticamente tudo como premissas. Isso jamais deve ser feito em um projeto! Cálculos matemáticos estimando a força dos ventos em mar aberto, a altura das ondas formadas e número de sobreviventes na popa do navio-tanque deveriam ter sido realizados com o objetivo de mitigar os riscos envolvidos e aumentar a chance de sucesso do projeto. Porém, alcançar os objetivos de qualquer projeto não depende apenas de um bom planejamento, mas também da habilidade do gerente em buscar o comprometimento da equipe e encontrar alternativas para os problemas que surgirem. E foi exatamente dessa forma que o nosso herói executou o projeto!

Executando a navegação de alternativas

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Pouco tempo depois de receber a missão e formar sua equipe, nosso herói partiu em busca de alcançar o objetivo traçado. Algumas horas após a partida, Bernie e sua equipe encontram a barreira de ondas. Surge o primeiro grande problema! Os paredões de água que se formavam poderiam fazer o barco virar e ocasionar a morte de Bernie e sua equipe. Não havia alternativa, a não ser enfrentar o desafio com bravura. Bernie explica à sua equipe como planeja superar as enormes ondas, mitigando os riscos envolvidos, e ouve palavras de apoio de um dos guardas costeiros. Fundamental ter a confiança do time! Esse planejamento realizado após a descoberta de alguns requisitos (força e altura das ondas) chama-se, com o perdão do trocadilho, planejamento em “ondas” sucessivas.

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O grupo então executa o plano traçado e acelera ao máximo o barco. A cada paredão ultrapassado, Bernie reduzia a velocidade na descida para não naufragar. Porém, em uma dessas descidas ele percebeu que somente reduzir a velocidade não seria suficiente, então ele resolveu inverter os motores afim de evitar que o banco entrasse de bico no fundo do mar. E deu certo! Uma alternativa para contornar o problema. Após ultrapassar a barreira de ondas, surge o segundo problema: a forte tempestade havia quebrado a bússola utilizada como guia para localizar o navio e o rádio de comunicação. A equipe agora estava em mar aberto e não sabia por qual direção continuar. Aqui entra o papel do gerente de projetos: identificar alternativas, pois sua restrição era o tempo.

Ao perceber que os equipamentos haviam sido danificados, Bernie ouviu de sua equipe que o melhor a se fazer era abortar o projeto. Parou, pensou e comunicou a todos que haviam chegado muito longe para desistir. Era preciso identificar uma outra alternativa. Sendo assim, orientou sua equipe a apagar o holofote do barco, pois seria mais fácil enxergar as luzes navio dessa forma e seguiram navegando guiados pela correnteza. Certo tempo depois, Bernie e sua equipe avistam a popa do navio-tanque SS Pandleton encalhado em um banco de areia. Mal sabiam eles que dentro desse navio, outro projeto estava em execução. Liderados por Raymond Sybert, a tripulação sobrevivente lutava bravamente para manter o navio o maior tempo possível sem afundar e assim conseguir serem resgatados por uma outra embarcação que os avistasse.

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A tripulação sobrevivente percebeu a visita inesperada e foi em direção ao convés avistar a pequena embarcação de resgate. Logo, é identificado um novo problema. Bernie utilizava um barco que comportava apenas 12 passageiros segundo dados oficiais, enquanto que a tripulação sobrevivente do navio-tanque era de 32 pessoas. A conta não fechava, e agora? Bernie utilizou a opinião especializada de um dos membros de sua equipe que o informou que o barco suportaria entre 20 e 22 passageiros no máximo. A conta continuava sem fechar. Nosso herói não aceitou deixar tantas vidas humanas para trás e resolveu aceitar o risco de a embarcação naufragar por excesso de passageiros. Um a um eles foram descendo e se acomodando no pequeno barco. Era preciso executar essa tarefa com bastante cuidado, pois a maré estava forte e poderia fazer o barco colidir com o navio e, consequentemente ceifar todas as vidas dos que ali estavam.

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Após acomodar toda a tripulação, com exceção de um que não sobreviveu à descida, Bernie resolveu seguir, dessa vez, guiado pelos ventos e luzes do cais de onde partiram. Após algumas horas navegando em alto mar, eles avistaram os faróis dos carros ligados no cais da guarda costeira, onde suas famílias ansiosamente os aguardavam sob aplausos. Era hora de encerrar o projeto e comemorar, realizando a entrega final: tripulação resgatada!

Conclusões

Quais conclusões podemos tirar desse audacioso projeto? A primeira delas é que um projeto pode prestar um importante serviço à sociedade. Nesse caso, salvar vidas humanas. Em segundo lugar, um bom planejamento lhe ajudará a alcançar mais facilmente os objetivos traçados. É preciso definir bem o escopo e detalhar os requisitos como forma de evitar que riscos não previstos causem o fracasso do projeto. Outra importante conclusão é que uma boa execução depende da habilidade do gerente do projeto em liderar sua equipe sempre focando nos objetivos. É preciso também identificar alternativas como forma de evitar o estouro do tempo do projeto, principalmente se essa for sua restrição principal. Por fim, destaco que para gerenciar projetos é preciso coragem! Enfrentar os problemas com a certeza de que utilizando os conhecimentos, as habilidades, ferramentas e técnicas de gestão de projetos é possível superar e lograr êxito.

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Sobre danielettinger

Bacharel em Ciência da Computação pela Universidade Federal de Sergipe (UFS) e Pós-Graduado em Gestão de Projetos de Software pela Faculdade de Administração e Negócios de Sergipe (FANESE). É certificado CAPM® pelo PMI, ITIL® v3 Foundation pelo EXIN e COBIT® 5 Foundation pela APMG. Possui experiência de 5 anos nas áreas de Análise e Desenvolvimento de Sistemas do setor público e privado. Atualmente trabalha no Banco do Estado de Sergipe (BANESE), onde já desenvolveu atividades de análise de processos e gerenciamento de projetos no Escritório de Gerenciamento de Demandas e Projetos e Grupo de Processos, pertencentes à Área de Governança de TI. Dentre elas, destacam-se a gestão do projeto de implantação do PMO de TI e suporte no gerenciamento de projetos de TI. Nos dias de hoje, atua como gerente de projetos do PMO Corporativo do BANESE. Ministra aulas de Sistema de Gerenciamento de Projetos em cursos de MBA da FANESE. Participou como voluntário em eventos do PMI ministrando curso de Gestão do Tempo em Projetos. É proprietário e articulista do site “Gestão de Projetos Ágeis” www.danielettinger.com, onde divulga trabalhos pessoais na área de Gerenciamento de Projetos e Metodologias Ágeis como artigos, vídeo-aulas, pesquisas, eventos, templates, tutoriais e dicas fomentando o interesse e o desenvolvimento dessas áreas.

Publicado em 24/05/2016, em Gerenciamento de Projetos e marcado como , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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